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Por Priscila Paiva
União da Ilha
A União da Ilha abriu os desfiles do Grupo Especial, no domingo, com o enredo "Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro dos sonhos impossíveis", contando na avenida os sonhos de Dom Quixote de La Mancha, personagem famoso da obra de Miguel de Cervantes. Com alegorias caprichadas da carnavalesca Rosa Magalhães, o desfile durou 1h18. Após oito anos no Grupo de Acesso, a União da Ilha voltou este ano ao Grupo Especial e aproveitou para fazer uma referência em seu desfile sobre o próprio sonho de permanecer no Grupo. O refrão do samba-enredo da agremiação perguntava: "Quem é que não tem, uma louca ilusão?".
O desfile da escola apresentou sete carros alegóricos, 35 alas e cerca de 3.500 componentes. Bruna Bruno desfilou como rainha de bateria da União da Ilha do Governador. A rainha da escola pisou pela primeira vez na Sapucaí num desfile da elite do carnaval, e representava uma integrante da corte espanhola.
A madrinha de bateria da agremiação, foi a atriz Luciana Picorelli. Eriberto Leão representou Dom Quixote e Letícia Spiller veio de Dulcinéia. Na comissão de frente, foliões e bailarinos vestidos de toureiros jogaram rosas para o público. O quinto carro fez referência a um trecho da história de Miguel de Cervantes mostrando um teatro de marionetes. Os dois últimos carros mostraram o cavaleiro dos espelhos e desenhos de Cândido Portinari sobre o livro Dom Quixote de La Mancha.
Imperatriz
A Imperatriz Leopoldinense foi a segunda escola a desfilar no domingo, apresentando o enredo "Brasil de todos os deuses". Mostrando a formação religiosa do Brasil, o desfile da Imperatriz levou aproximadamente 3.800 componentes, distribuídos em 46 alas, para a Avenida. Entre eles, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ubirajara e Verônica, e Luiza Brunet, rainha de bateria.
A coroa da Imperatriz apareceu na Avenida num carro que era precedido por cavalos alados, sendo que um apresentou problemas durante todo o desfile. O par de cavalos alados levava ninfas e antecedia a parte principal do carro, mas se desviaram durante o percurso, preocupando os responsáveis pelo movimento da escola, que precisavam mantê-los em linha reta. Como não eram acoplados ao carro principal, os pequenos carros teimaram em se desviar para a lateral do sambódromo.
Imagens como a de Buda, deuses indianos ou até mesmo a cruz católica foram mostrados no desfile. O segundo carro alegórico da Imperatriz Leopoldinense, "Terra de Tupã", também teve problemas e custou a entrar na pista da Marquês de Sapucaí.
Unidos da Tijuca
A campeã Unidos da Tijuca contou a história dos mistérios da humanidade levando diversos segredos e efeitos especiais para a avenida. A terceira escola a se apresentar na Sapucaí no primeiro dia de desfiles, apresentou o enredo "É segredo" com seis carros alegóricos e 3,6 mil componentes, divididos em 32 alas.
A escola impressionou a todos ao apresentar um camarim gigante montado na avenida, desafiando o público a descobrir os truques dos mágicos: "É segredo, não conto a ninguém. Sou Tijuca, vou além. O seu olhar, vou iludir. A tentação é descobrir", dizia um trecho do samba-enredo. Bailarinas usaram o ilusionismo para trocar de roupa em segundos. Adriane Galisteu, grávida, foi a rainha da bateria.
A Tijuca mostrou o incêndio da biblioteca de Alexandria com turbinas de ventilador embaixo do carro alegórico que sopravam fios dourados para cima, dando a impressão de chamas. E a imaginação do público foi provocada sobre o que estaria escrito nos papiros que foram queimados. As minas do Rei Salomão, o cavalo de Tróia e o desaparecimento da Arca Sagrada que guardava os dez mandamentos - outros mistérios da história - também foram citados.
A escola homenageou Michael Jackson, com um sósia fazendo "moonwalk" no penúltimo carro, que apareceu com uma placa: "Michael vive em todas as estrelas". Um pavão gigante, símbolo da escola, encerrou o desfile.
Viradouro
A Viradouro desenvolveu o enredo "México - paraíso das cores, sob o signo do sol", mostrando a cultura e a história do México. Durante 1h22, a quarta escola a desfilar apresentou personagens como Chaves e Chapolim - figuras divertidas que simbolizavam a animação e a alegria do povo mexicano.
A bateria desfilou fantasiada de Jack Sparrow, o pirata do caribe, e a menina Júlia de Souza Lira, de 7 anos, filha do presidente da Viradouro, Marco Lira, desfilou como rainha de bateria da escola. A fantasia de Júlia, uma saia e um top, com plumas roxas e detalhes em prata, representou o "tesouro dos piratas". Mestre Jorjão repetiu a inesquecível paradinha funk.
Com nove carros alegóricos e 34 alas, a Viradouro levou cerca de 4 mil componentes para a Sapucaí. O quarto carro, "Para o fundo do mar da ambição", levou à Avenida um grande monstro marinho que envolvia um navio pirata, como se o levasse para o fundo do oceano. E piratas simulavam uma briga pelas riquezas latinas.
Salgueiro
O Salgueiro mostrou num desfile de 1h19, o enredo "História sem fim", falando sobre livros que marcaram a história mundial. Na comissão de frente, monges copistas transcreviam os textos em rolos de papiro ou pergaminhos, e ao empurrar escrivaninhas, eles retiravam placas de dentro dos móveis anunciando o enredo da escola: "história sem fim".
O abre-alas, "primeira impressão", representava a oficina de Gutemberg, com uma prensa de tipos móveis e um grande carimbo do Salgueiro, que girava para imprimir o nome da escola no chão da Marquês de Sapucaí.
Os ritmostas representavama história de Ali Babá e os 40 ladrões. A rainha de bateria, Viviane Araújo, desfilou como Sherazade, personagem de "As mil e uma noites" e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi ao lado ajudando a dar ritmo à escola.
As baianas homenagearam o escritor baiano Jorge Amado. E as alas lembraram textos importantes da história: os dez mandamentos, a Divina Comédia, Os Lusíadas, Dom Quixote, Os Três Mosqueteiros e Romeu e Julieta. Também foram representados na avenida alguns clássicos brasileiros: Memórias póstumas de Brás Cubas e Navio Negreiro.
Beija-Flor
Última escola a desfilar na madrugada de segunda-feira, a Beija-Flor apresentou o enredo "Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade a capital da esperança". Durante 1h20, a escola de Nilópolis falou dos 50 anos da capital federal, deixando de lado os escândalos políticos e exaltando as características da capital e do povo mais miscigenado do país - formado por gente de todos os cantos do Brasil.
O beija-flor, símbolo da agremiação de Nilópolis, não veio no abre-alas da escola, mas apareceu na comissão de frente, coreografada pela bailarina Ghislayne Cavalcanti. As fantasias e o tamanho dos carros, assim como o acabamento e os efeitos de iluminação das alegorias, chamaram a atenção do público na Avenida.
A Beija-Flor dedicou seus carros alegóricos mais a mitos, aos bandeirantes e até mesmo ao Egito, ressaltando alguma ligação deles com a capital - fugindo das representações mais comuns da cidade.
A agremiação dividiu em duas alas as mais de 120 baianas da escola. Cerca de 60 baianas desfilaram vestidas de índias, com fantasias luxuosas, ajudando a contar a história de Brasília.
Mocidade
A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu o segundo dia de desfiles na Sapucaí com o enredo "Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura", levando para a Avenida os "Jardins do Éden". Com cerca 3.800 componentes e numa exibição que durou 1h20, a agremiação apresentou a comissão de frente "Anjos - Os guardiões do paraíso", com dois jovens bailarinos que eram conduzidos dentro de um tripé. A porta do tripé teve problemas e atrapalhou o desfile no momento em que passava em frente a um dos módulos dos jurados.
Thatiana Pagung foi a rainha da bateria comandada por mestre Bereco. E Elza Soares, de 72 anos, a madrinha. O enredo foi dividido em duas partes e a escola teve 37 alas. O abre-alas e os dois carros seguintes representam a ligação do paraíso com a imagem bíblica da gênesis - a visão tradicional de paraíso. E os últimos estão vinculados ao paraíso da terra, onde tudo pode ser comprado com o dinheiro.
O quarto carro representou o eldorado, quando o homem para de pensar na natureza em função da ambição por riquezas, e marcou a divisão do desfile em duas etapas. Na quinta alegoria, uma brincadeira com a nota do Real nos paraísos fiscais. A alegoria "Shopping Universal: o paraíso do consumo" levou carros e motos de verdade para a avenida. Na parte inferior da alegoria foi representado um quarto de motel, lembrando o "paraíso do prazer".
Porto da Pedra
A Porto da Pedra optou por falar da moda e suas tendências, enfeitando a Sapucaí com laços, fitas e babados. Por 1h19, o enredo "Com que roupa eu vou?" apresentou a moda contemporânea, estilistas e levou à avenida a estudante Geisy Arruda, conhecida pela polêmica que causou ao ser hostilizada na universidade por usar um vestido rosa e curto.
No abre-alas, um tigre gigante de boca aberta mostrava a língua com um piercing: "Antes da moda era assim". Na alegoria, personagens do desenho animado "Os Flinstones", fazendo referência à pré-história.
Os integrantes da ala "Com que roupa eu vou?" puderam escolher que fantasia queriam vestir. Nomes como Alexandre Hercovitch, Jum Nakao, Lino Villaventura e Ronaldo Fraga, referências da moda atual, ganharam alas temáticas.
O último carro alegórico da escola foi o "Sapucaí Fashion Day", exaltando o glamour da moda. E, como todo desfile de moda, a Porto da Pedra encerrou sua passagem com a ala das noivas, uma homenagem a Simon Azulay, estilista brasileiro morto em 1988.
Portela
A Portela foi a terceira escola a desfilar na segunda-feira, e apresentou durante 1h20 o enredo "Derrubando fronteiras conquistando a liberdade - Rio de paz em estado de graça". O enredo falava de tecnologia e dos benefícios da inclusão digital como ferramenta de transformação para a realidade do Rio. A iluminação das alegorias chamou a atenção do público.
Na comissão de frente, passistas convidavam para a inclusão no mundo virtual. As baianas homenagearam o Rio com as fantasias "Orla Digital: Internet Livre". Juliana Portela foi a rainha da bateria, e o jogador Petkovic entrou na avenida animado para realizar o sonho de mais uma vez desfilar pela Portela.
A escola teve 36 alas divididas entre sete alegorias. No segundo setor, os excluídos eram convidados a acessar o universo da tecnologia para serem transformados. O terceiro retratava a educação à distância e o quarto os benefícios das telecomunicações. Os avanços e recursos que chegam com a medicina tecnológica foram retratados pela agremiação no quinto setor.
A agremiação também apresentou o universo dos blogs, chats e redes. O último carro, "Rio de paz para viver!", fazia referência ao mundo dos games.
Grande Rio
O enredo da Grande Rio fazia uma retrospectiva dos melhores momentos dos desfiles das escolas de samba na Sapucaí, homenageando outras agremiações. Em 1h21, a escola lembrou de vários elementos que fazem parte do carnaval: o público, os camarotes, os garis, os sambistas e os carnavalescos.
A comissão de frente mostrou a mulata e o malandro. A Grande Rio homenageou o carnavalesco Joãosinho Trinta fazendo reverências na ala das baianas, vestidas como "damas do lixo", e por uma ala que representava os mendigos que o carnavalesco levou para o desfile da Beija-Flor em 1989.
A escola colocou o carnavalesco no trono, sobre um monte de lixo, na terceira alegoria, intitulada "A genialidade de Joãosinho Trinta". Esculturas de ratos gigantes se movimentavam e pessoas fantasiados de roedores saiam de esgotos iluminados por luzes vermelhas.
A rainha de bateria, Paola Oliveira, dava o tom aos ritmistas que estavam fantasiados como garis.
O quarto carro alegórico celebrava a Cidade do Samba. O desfile foi encerrado pelo "carnaval das estrelas", uma nave espacial prateada que previa como será o carnaval em 3001. O gari Renato Sorriso, famoso por sambar quando varria a avenida após um desfile, foi o destaque do carro.
Vila Isabel
A Vila Isabel fez uma homenagem ao poeta Noel Rosa. A quinta escola a desfilar na segunda noite relembrou detalhes da vida e da obra do poeta e sambista que completaria 100 anos. O desfile teve oito carros alegóricos e 31 alas, com um total de aproximadamente 3.500 componentes. A comissão de frente era um grupo de passistas representando os amigos de Noel, que carregavamum violão e depois o transformavam em mesa de bar.
Entre as alegorias, destaque para o terceiro carro: "O Morro Tem Vez", representação da integração do poeta com os compositores da sua comunidade. O cenário foi composto para apresentar instrumentos e no meio do desfile apresentava movimento, e se abria para mostrar uma favela carioca.
Gracyanne Barbosa se apresentou como rainha de bateria da Vila Isabel. O samba-enredo citava, além de Noel Rosa, outros nomes do samba como: Cartola, Araci de Almeida e os Tangarás, Lamartine Babo e Ismael Silva.
Mangueira
A Mangueira foi a última escola a desfilar e levou a diversidade da música brasileira para o Sambódromo, mostrando o samba-enredo "Mangueira é música do Brasil", apresentando um calhambeque de Roberto Carlos e até um "bonde do funk" na avenida. .
Os ritmistas da bateria apareceram vestidos como presidiários, fazendo crítica à censura do regime militar. A comissão de frente homenageou Villa-Lobos. O desfile da Mangueira durou 1h21e teve oito alegorias. Foram 37 alas e 4 mil componentes no desfile. O abre-alas, "Nossos barracos são castelos", lembrava o morro e o surgimento dos bambas do samba, homenageando Jamelão, intérprete da verde e rosa que morreu em 2007.
O tema do terceiro carro alegórico da escola foi a Jovem Guarda, onde vinha um grande calhambeque verde e rosa dirigido por uma escultura de Roberto Carlos. A alegoria seguinte apresentava um "monstro da censura": numa das mãos, uma gaiola se balançava com o transformista Rogéria.
O sertanejo, baião, frevo e toada também foram representados em alas. O penúltimo carro alegórico, o "Brasil musical", mostrava o amplo território da música brasileira. Por fim, um "bonde" tomou a Sapucaí, com caixas de som e uma gaiola com popozudas, mostrando o mais carioca dos ritmos: o funk. |




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