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Edição 499
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Com um índice geral de sucesso de 80,55% nas cirurgias de reimplante, o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes atendeu 50 pacientes, sendo 44 operados, entre dezembro de 2008, quando foi criado o SOS Reimplante, até o último dia 25. Entre os casos estão reimplantes de braço, antebraço, mão, polegar e outros dedos. Referência em atendimentos de média e alta complexidade, o Hospital de Saracuruna se destaca pelo sucesso nestas cirurgias, realizadas apenas em hospitais públicos. O diretor da unidade, Manoel Moreira, explica que o serviço não pode ser oferecido em todos os hospitais, é preciso ter uma unidade de referência com todos os equipamentos. - Atualmente, no estado, é este hospital, com a equipe do SOS Reimplante. Ele está todo equipado e os médicos são solicitados para atender o paciente a qualquer hora. O atendimento é 24 horas - afirma o diretor. O coordenador do SOS Reimplante, o microcirurgião João Recalde, conta que o programa começou quando Ana Catarina, 11 anos, moradora de um abrigo para crianças carentes em Areal, região Centro-Sul Fluminense do Rio, teve o braço amputado ao interromper o processo de lavagem de uma máquina industrial. - Tudo foi feito as pressas, mas felizmente foi bem sucedido. A gente percebeu que era possível através do deslocamento dos profissionais neste caso da menina de Areal. Depois disso, foi criada a filosofia do SOS Reimplante - explica. O grupo, formado por duas equipes, passou a ficar disponível em sobreaviso. Recalde e Moreira ressaltaram que o heliponto e a localização do hospital, perto de uma rodovia, contribuem para que os médicos cheguem junto com o paciente. A maioria das amputações acontece por causa de acidentes de trabalho, portanto, os pacientes que chegam no Hospital de Saracuruna geralmente são da região metropolitana - Baixada Fluminense, Niterói e Rio de Janeiro. A maioria das indicações de cirurgia também é de acidentes de trabalho, ao contrário dos acidentes de trânsito, que são muitos mas não tem muitas indicações, porque, geralmente, são casos muito graves e não há como reimplantar. Recalde explica o motivo: - Dependendo da gravidade do acidente, se o paciente for politraumatizado, não pode passar pelo reimplante. Porque não será possível fazer a cirurgia com segurança, e temos que dar prioridade à vida do paciente. O reimplante também não é indicado em pessoas acima de 65 anos, porque elas possuem mais doenças vasculares associadas e, além disso, não tem tempo hábil para a recuperação, que nessa fase da vida é muito lenta - em torno de 2 a 3 anos para recuperar os movimentos de um braço, ou 6 a 8 meses para um dedo. - Ás vezes não compensa o risco que você corre nessa cirurgia, que dura horas. Este paciente já não trabalha mais e seria de pouca utilidade ter um dedo sem os movimentos de antes - afirma. Pacientes com diabetes, hipertensão e outras doenças cardio-vasculares também não são indicados. - Tem que haver bom senso para saber quando parar. Nada justifica pôr em risco a vida do paciente - ressalta o microcirurgião. Ele destaca que o reimplante não é vital , o paciente não vai morrer porque o segmento não foi reimplantado. Mas deixa claro que "indicaria de qualquer jeito o reimplante" quando o paciente é uma criança, e enumera os motivos: a criança não tem doença associada; geralmente a amputação é "limpa" pois a energia necessária para amputar o dedo em uma criança é mais baixa, ao contrário do adulto; a criança ainda não tem profissão e o médico estaria privando-a de desenvolver alguma habilidade que exija a presença daquela parte do membro; e a capacidade de recuperação, que é melhor porque o paciente está na fase de crescimento. - A indicação é quase absoluta, só não vai ser possível em casos de politraumatismo - diz, acrescentando que mulheres jovens também tem mais chances de indicação pela estética. Considera-se que, para elas, um dedo é muito importante, mesmo que não funcione bem. E por fim, toda amputação de polegar deve ser tentada pois trata-se de um dedo muito importante para a função da mão. Cuidados e riscos Hospital de Saracuruna |
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