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Como define o coordenador do setor de Cardiologia do Hospital Pedro Ernesto (Hupe), Denílson Albuquerque, ser cardiologista é uma missão. As palavras carregam o peso e a responsabilidade da profissão, já que as doenças vasculares são a maior causa de morte no mundo ocidental, superando até mesmo o câncer. Para homenagear este profissional, que comemorou seu dia no sábado passado, o médico falou da função e dos desafios de cuidar do coração de seus pacientes.
Segundo Denílson, as doenças cardiovasculares têm uma grande vantagem sobre o câncer porque podem ser prevenidas através do estudo dos chamados fatores de risco. Alguns, como a carga genética, são indissociáveis. Mas é possível controlar a hipertensão - considerada a principal causa - e o diabetes, combater a obesidade e o sedentarismo e até mesmo as dislipidemias (ou distúrbios do metabolismo das gorduras, como colesterol e triglicerídeos).
- O trabalho do cardiologista começa na infância, a partir do momento que se identifica o grupo geneticamente predisposto, até a velhice. É perfeitamente possível reduzir a morbidade e a mortalidade dessas doenças se o paciente seguir as recomendações médicas e adotar um estilo de vida saudável, com alimentação regulada e prática de exercícios físicos - explica.
Quem tem histórico de doenças cardiovasculares na família deve ser acompanhado desde a adolescência para checar se há alguma predisposição. Quando o indivíduo não tem carga genética, deve consultar o médico a partir dos 30 anos para checar se existe algum fator de risco, como obesidade, alto nível de estresse, colesterol ou triglicerídeos.
- Se nenhum desses indicadores for acusado, o paciente só precisa voltar a fazer um check up depois dos 40. A não ser que ele mude completamente seus hábitos e passe, por exemplo, a fumar ou beber em grandes doses, seja submetido a grande estresse ou se torne obeso. A obesidade está intrinsecamente ligada à doença cardiovascular, pois favorece o aparecimento da hipertensão, agrega o risco da diabetes e esses dois fatores juntos, muito frequentemente desencadeiam um problema cardiovascular - diz Dr. Denílson.
O maior perigo, alerta o médico, é que, em muitos casos, a hipertensão e a própria doença coronariana podem se manifestar de forma silenciosa. No primeiro caso, sintomas como dores de cabeça e tonturas não são associados à pressão alta. Denílson afirma que também não é raro que pacientes descubram em exames que já sofreram infarto.
- A doença cardiovascular pode ser assintomática, pouco ou muito sintomática. É muito comum pacientes sentir dores no peito, como um aperto, mas associarem o sintoma a um distúrbio gástrico porque a dor não irradia para os braços, pescoço ou as costas, como de costume.
A evolução dos fármacos - como a aspirina, a histatina (que controla o colesterol, evitando o entupimento das coronárias, e ajuda no equilíbrio da pressão arterial) - e a tecnologia empregada nas cirurgias de revascularização miocárdica (ponte de safena) e as angioplastias têm ajudado a reduzir o número de mortes por doenças cardiovasculares. Denílson Albuquerque explica que, em 2025, o Brasil terá a quinta maior população idosa do mundo e a causa principal de morte entre as doenças do coração será a insuficiência cardíaca. Isso, se até lá, o estudo das células-tronco, ainda em fase de investigação, não encontrar um meio de prolongar a vida útil do órgão.
Enquanto os cientistas pesquisam os benefícios das novas tecnologias, resta aos cardiologistas argumentar com seus pacientes.
- Muitos idosos têm mania de dar férias aos remédios. Eles escolhem um para não tomar durante um mês, por exemplo, mas não se dão conta de que cada um deles tem uma função e a má administração pode acarretar em efeitos colaterais. Outro grande desafio é convencê-los de que não existe idade para começar uma atividade física. O ideal é atender a demanda de cada um, oferecendo um exercício que seja agradável - conclui.
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