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Por Marta de Sousa Costa
>>> Para você saber
A amiga perguntou, entre surpresa e escandalizada: “Mas a Casa
de Santo Antônio do Menor não é uma ONG, é?” _ colocou ênfase no “é?”,
como quem deseja, mais que tudo, receber um “não” em resposta. Entendi
a sua perplexidade: as ONGs são tão mal faladas, por tudo que algumas
aprontam, que é natural o receio de ser confundida com aquelas.
Mas ONG é sigla de “Organização Não governamental”, nome atribuído a
toda associação não pertencente ao governo, formada por um grupo de
pessoas, com um propósito em comum e sem fins lucrativos. Não há desdouro
nenhum em ser ONG, portanto. Ao contrário, pertencer a uma ONG, contribuir
para o seu desenvolvimento, em qualquer forma, é próprio de pessoas
que se interessam pelas outras, compreendem as dificuldades alheias
e lutam para minorá-las.
Há ONGs que se dedicam ao trabalho com a velhice, outras se voltam à
infância marginalizada ou aos jovens reféns das drogas; algumas se preocupam
com crianças e jovens com necessidades especiais; outras ensinam os
passos para abandonar o vício da bebida. ONGs mobilizam a sociedade
em campanhas para distribuir entre os menos favorecidos o alimento que
sobra em muitas mesas, a roupa esquecida no armário, o brinquedo (em
bom estado) que deixou de agradar. Muitas cuidam da saúde e da proteção
à natureza; dedicam-se a pesquisas na área da Medicina.
ONGs fazem o trabalho que pertenceria ao Estado e que o Poder Público,
seja Federal, Estadual ou Municipal, sozinho, não consegue realizar.
ONGs são importantes, portanto, e seu desempenho imprescindível. Por
isso, em algumas situações de risco, o Estado pede o auxílio de determinadas
ONGs para prestar de forma mais ampla determinado atendimento. Em outras
ocasiões, são as ONGs que solicitam a parceria do Estado, através de
verbas que possibilitem melhorias no atendimento ao público visado.
Em quaisquer dessas circunstâncias, projetos são apresentados, contratos
assinados, prestações de contas entregues mensalmente, além de o trabalho
ser vistoriado, proporcionando ao Estado a certeza de que a verba está
sendo usada de forma correta e para os fins que foi prevista.
Acontece que, enquanto as pessoas honestas cumprem à risca o combinado,
fazendo até mais do que foi acertado, outras são especialistas em “meter
a mão” no que lhes foi concedido para gerenciar. E são essas ONGs de
má fé que atrapalham a vida das idôneas, provocando perguntas como a
da amiga, desejosa de que a Casa de Santo Antônio do Menor não fosse
uma ONG. Só que ela é, com muito orgulho, ciente de que é uma honra
ser antiga creche, alçada à condição de escola de educação infantil,
por convênio firmado com o Governo Federal, reconhecido seu trabalho
com crianças que não teriam acesso aos bancos escolares, sem a existência
de entidades sem fins lucrativos como essa.
A revista VEJA, na edição de 9 de novembro de 2011, mostrou que as ONGs
“do mal”, como aquelas que minaram os Ministérios do Esporte e do Turismo,
embora em flagrante minoria, fizeram às outras enorme desserviço, por
mancharem seu nome, perante a mídia. Qualificou como enorme injustiça
o atendimento que todas passaram a receber, inclusive por parte do Poder
Público.
Mas as organizações não governamentais idôneas, aquelas com endereços
conhecidos, portas abertas para serem visitadas, anos de atendimento
comprovado e qualificado, não receiam ser reconhecidas como ONGs, pela
certeza de que a comunidade reconhece e aprecia o seu trabalho.
Para ver outras crônicas da autora, acesse
www.martasousacosta.blogspot.com
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