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Por Marta de Sousa Costa
>>> Acapulco
Crônicas semanais, como as que me proponho a publicar, possuem a peculiaridade de, algumas vezes, assuntos emergenciais precisarem atropelar aos outros. Deixados para depois, perderiam a razão de ser, por isso invadem a área, empurrando aquele que estava em pauta, sem a menor cerimônia. Isso acontece, seguidamente, quando estou contando sobre alguma viagem, o que requer várias semanas, o relato dividido em capítulos. Quando a interrupção é grande, parece meio estranho voltar ao tema, passado certo tempo. Por outro lado, também é ruim deixar um assunto pelo meio. E se alguém estivesse interessado?
Assim, retorno ao transatlântico Celebrity Infinity, onde realizamos um cruzeiro turístico, e nesse momento chegamos a Acapulco, no México.
Como somos três casais, preferimos alugar uma van e fazer um passeio pela cidade. O motorista, que também faz o papel de guia turístico, se chama Rafael Vila e é muito falante e metido a espirituoso."Os amigos me chamam de Pancho Vila", vai logo dizendo.
O porto de Acapulco despertou interesse, pela sua localização, desde que o conquistador espanhol Gil Gonzáles Ávila aqui chegou, em 1512 _ de acordo com o folheto entregue a bordo _ possibilitando o intercãmbio com as riquezas asiáticas. No final do século XVII, com a inauguração do Cabo da Boa Esperança, começaram a ser utilizadas as novas rotas comerciais pela África e a importância do porto diminuiu.
Após a segunda Guerra Mundial, quando os turistas americanos procuraram novos destinos para lazer, Acapulco logo se tornou um dos lugares preferidos da elite de Hollywood, o que fez com que passasse a atrair os ricos e famosos de todo o mundo. Mas artistas e famosos, embora precisem dos flashes para respirar, não costumam apreciar o tumulto da plebe fascinada que os persegue, por isso, ao se popularizar, Acapulco perdeu um pouco da áurea de glamour, embora ainda atraia turistas do mundo inteiro.
As praias são públicas, somente se alugam os toldos e as cadeiras, e estão cheias de gente e de guarda-sóis coloridos. O trânsito de automóveis é intenso nas ruas. Mas há inúmeros resorts, com suas praias particulares, campos de golf, condomínios e marinas, para quem prefere o sossego.
Rafael diz que Acapulco possui 1.300.000 habitantes. "40% católico, 60% alcoólico" _ completa, querendo ser engraçado.
Passamos pelo Hotel las Brisas, conhecido aqui como Baby Factory (Fábrica de bebês), por ser o preferido pelos casais em lua de mel.
Continuando o nosso passeio, passamos pelo restaurante EL Zorrito, onde se come a melhor comida mexicana em Acapulco, ainda segundo nosso animado guia.
Depois, ele nos conduz à casa do primeiro Tarzan, Johnny Weissmuller, estratégicamente localizada sobre um penhasco, lá embaixo o mar azul. A construção, com altos e baixos, acompanha as diferenças do terreno, o que melhor possibilita a observação da esplêndida baía.
Dentro da casa, que também pertenceu a John Wayne, as paredes estão cobertas com fotos de artistas da época.
Ainda vamos a La Quebrada, ponto ideal de observação das atrações mais famosas de Acapulco, uma queda de mais de 150 pés sobre o mar, onde mergulhadores profissionais fazem a sua apresentação, esperando o momento adequado, quando a maré sobe. Um erro de cálculo significaria a morte, o que faz de cada mergulho um enorme suspense.
Às dezoito horas, partimos rumo a Cabo São Lucas, ainda no México.
Marta Fernandes de Sousa Costa
Para ver outras crônicas da autora, acesse
www.martasousacosta.blogspot.com
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