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Por Vicente Portella
>>> Nasce uma nova era
Barak Obama é negro, mas é muito mais que isso. A simbologia
racial é forte, porém, Obama foi muito mais longe. Diante
de uma América destroçada pela ganância financista
e belicista ele soube resgatar valores fundamentais para qualquer grande
nação. Ao invés de pregar guerras e invasões,
lugar comum para líderes americanos, pregou consciência
e igualdade. Obama fez com que o mundo olhasse novamente para os EUA,
não com olhos de quem odeia uma nação cruel, invasora
e monopolista, e sim como quem busca uma saída para um processo
político mundial enlameado por vícios e controlado por
loucos.
Querendo ou não, os EUA influenciam o mundo. Quando o País
mais rico e poderoso do planeta se apossa de outra nação, única
e exclusivamente para lançar mão de suas riquezas naturais,
como ocorreu no Iraque, o mundo começa a acatar a pilhagem como
uma coisa lícita. Por outro lado, se a nação mais
desenvolvida aponta valores humanísticos e culturais como prioritários,
os outros Países também o seguem. É assim no Brasil,
na América latina - onde o Brasil é referência -
e é assim no mundo.
Desde Martin Luter King a América vem tendo sonhos de igualdade,
sempre transformados em pesadelos por uma elite branca, cruel e endinheirada,
contra a qual o pastor negro manteve o dedo e a voz em riste. Como disse
o próprio Luter King, os maus gritavam e os bons silenciavam.
Essa lógica se espalhou pelo mundo, inclusive Brasil, alçando
ao poder homens maus, incompetentes e descompromissados.
Não se pode dizer, é claro, que a era da estupidez e da
mediocridade política tenha terminado. Mas o fato é que
a nação líder do mundo conseguiu reverter um processo
histórico de dominação e eleger um cidadão
de origem humilde amparado em valores fundamentais completamente esquecidos,
coisas como liberdade, igualdade e respeito aos direitos de todos. É importante
frisar que nada na campanha de Obama foi fundamentado na boçalidade
conservadora religiosa, pelo contrário. O discurso com essa tônica,
vindo de uma mulherzinha tola do Alasca, foi sumariamente derrotado.
Torci para Obama e torço para que, junto com ele, venha um período
de valorização da dignidade humana na política mundial.
Para que o processo político volte a ser dirigido pelos mais qualificados,
e não pelos mais "espertos", como acontece aqui. Torço
para que a politiquinha do assistencialismo - muleta, dentadura, centro
social pago com nossos impostos e coisas do gênero - seja definitivamente
banida por esse vento inspirador que sopra da América.
Na verdade, creio que, como disse certa vez Vinícius, "a
coisa não demora".
Lula, aqui, guardadas as devidas proporções e apesar da
obsessão da turma do PT, e aliados, por cargos, maracutaias e
mordomias, representou um avanço nesse sentido. A vitória
de Obama agora solidifica essa tendência em nível mundial.
Definitivamente o mundo quer algo novo. Algo que não seja podre
nem baseado na podridão política. A humanidade, creio,
está gritando por mudanças e elas estão ocorrendo.
Os negros e pobres espalhados pelo planeta vão agora se sentir
no direito de exercer de forma mais ampla sua cidadania, sendo médicos,
engenheiros, advogados, operários ou Presidentes de algumas repúblicas
espalhadas pelo mundo. Li um texto sobre isso no Blg Leia junto (http://leiajunto.wordpress.com),
do Cesar Barroso e concordo plenamente.
Enfim, mundo reinicializado, estamos diante de uma nova era. Que venha
a esperança e nos tire pra dançar.
Vicente Portella
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